
A síndrome de Burnout, também conhecida como esgotamento profissional, é um transtorno psíquico cada vez mais presente no ambiente de trabalho, caracterizado por exaustão física e mental, estresse prolongado e perda de motivação. Em um cenário marcado por cobranças excessivas e alta competitividade, muitos profissionais acabam acumulando responsabilidades além do que conseguem suportar, um terreno fértil para o adoecimento. Para o neurologista e especialista em Medicina do Estilo de Vida, Italo Almeida, a prevenção passa por um olhar atento à saúde como um todo, com foco especial na correção de deficiências nutricionais que impactam diretamente a produção de neurotransmissores.
Com o objetivo de promover a saúde mental nas empresas, Almeida, que é diretor-médico da clínica Neuro Integrada, tem se dedicado à realização de palestras gratuitas em ambientes corporativos, alertando para os sinais precoces do burnout e apresentando caminhos de prevenção. “Antes de qualquer colapso, o corpo fala. Insônia, dores de cabeça, tristeza, irritabilidade e impaciência são alertas que não devem ser ignorados”, destaca. Ele reforça que a Medicina do Estilo de Vida dispõe de estratégias cientificamente comprovadas para prevenir não apenas o burnout, mas também outras condições que comprometem a qualidade de vida, a produtividade e a realização pessoal.
O especialista aponta algumas ações que podem prevenir o burnout. Confira:
Dormir bem é mesmo tão importante assim?
Dormir menos de seis horas por noite eleva o cortisol, o hormônio do estresse, em até 37%. O ideal é dormir entre 7 e 9 horas. Evitar telas uma hora antes de deitar, fazer uma refeição leve à noite e adotar um ritual noturno são atitudes simples que fazem diferença.
Como a alimentação influencia na saúde mental?
Uma alimentação anti-inflamatória ajuda muito. Frutas, legumes, folhas e fibras fortalecem a microbiota intestinal, que produz substâncias que relaxam o cérebro. Açúcar refinado e ultraprocessados devem ser evitados. Alimentos ricos em Ômega-3, a exemplo de sardinha e chia, reduzem marcadores inflamatórios. Na Bahia, poucos peixes oferecem Omega-3. Peixes criados em cativeiro e alimentados com ração praticamente não têm Ômega-3. A opção para quem não consegue pela alimentação é suplementar.
A atividade fésica auxilia nesse processo?
O mais importante é a frequência, não a intensidade. Movimentos moderados, como caminhadas ou yoga, já reduzem a ansiedade em até 40%. Comece pequeno: troque o elevador pela escada, caminhe 30 minutos por dia, mas não pare. O corpo precisa se mover.
Muito se fala de controlar o estresse. Como isso pode ser feito?
A respiração é um excelente começo. A técnica 4-7-8 (inspirar por 4 segundos, segurar por 7 segundos e expirar por 8 segundos) reduz o cortisol rapidamente. Outra alternativa eficaz é o “respiro fisiológico”: uma inspiração profunda seguida de uma inspiração curta adicional, e uma expiração bem longa. Além das técnicas de Mindfulness, a meditação diária de cinco a dez minutos também ajudam a diminuir o estresse.
Qual o papel das relações sociais nesse processo?
É enorme. Relações significativas e verdadeiras ativam a ocitocina, hormônio que neutraliza o cortisol. Amigos e amor fazem grande bem e dão mais sentido à vida. Agende, pelo menos, um encontro semanal offline com amigos e família. A diversão genuína, que não tem relação com a ilusão proporcionada pelo consumo do álcool, é essencial. É importante nutrir-se de momentos especiais, fazer algo que gosta com pessoas que gosta.
(09.07.2025)
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